Passando de mitologia para algo mais atual, e da Grécia Antiga para Curitiba, hoje a coluna é dedicada a um ilustre curitibano: Dalton Trevisan. Considerado um dos maiores contistas brasileiros, Trevisan desenvolveu um estilo de escrita revolucionário, obstinadamente sintético. Ao contrário do que os que desconhecem o estilo podem pensar, a leitura não fica tão mais fácil; opinião própria: fica mais difícil. È necessário mais atenção, principalmente nos contos mais longos - que no caso de Dalton são os de 4 páginas -.
Os estereótipos urbanos estão todos lá, nos contos: os bêbados, os assassinos, as gordas, os pais, os filhos. De preferência com um toque de humor-negro, que denuncia ao mesmo tempo em que faz surgir um sorriso, no canto da boca.
Mas, como o próprio Dalton, famoso pela timidez, preferiria, vamos encurtar a conversa e dar logo um exemplo, retirado do livro 234, que contém apenas mini-contos.
Na cama, diz o marido:
- Você é gorda, sim. Mas é limpa.
- ...
- Você é feia, certo? Mas é de graça.
para saber mais sobre o autor
Bernardo Staut