Ontem foi dia de leseira eletrônica. Um típico domingo moderno, não? Acompanhado de amizades virtuais ou televisivas, de entretenimento fácil e sedentário. Mas cansa, não?
Me sinto pelo menos em parte feliz por ter nascido em minha geração. Consigo mecher com tecnologia facilmente, e ainda assim pude aproveitar a era pré-tecnológica. Conheco agora pessoas de 10 anos que passam todo o tempo livre com tecnologia. Posso estar sendo um velho precoce, mas não vejo finalidade em tanto entretenimento digital. Por exemplo, a nova moda: o Twitter, que, para quem não sabe, funciona como um blog, só que as postagens têm tamanho reduzido, como se fossem recados. Ok, até a agência em que eu trabalho usa. Mas qual a finalidade de mais um site que vai adicionar pessoas e trocar mensagens. Mais um. Não venha dizer que ele é diferente dos Orkuts e Facebooks da vida, pois afinal o sentido é o mesmo: se comunicar pela internet.
Na minha inclusão digital, nos sites de compartilhamento, eu utilizo o Orkut e mais algumas futilidades da internet. E, para mim, já é suficiente. O MSN já foi abandonado faz tempo. Cansei de conversas repetidas, falta de contato e aquela aparente necessidade de falar alguma coisa. Além disso, é tudo rápido, conversas rápidas, simultâneas e em tempo real.
O trabalho que antes era feito em 2 horas agora é finalizado em 30 minutos. E as outras 1 hora e meia você gasta em quê? Mais trabalho ou conversas digitais? Talvez por isso se tenha a sensação de que toda a cultura já foi produzida, que não há mais lugar para inovar. Talvez o problema seja a falta de ócio criativo, ócio de contato com o mundo - físico, de preferência.
Bernardo Staut